Claraaa! Para Casa: A culpa não é minha!

Postado: 8 nov 2020 | 0 comentários

Se você ainda não leu o primeiro capítulo, acesse aqui primeiro.


A Carta

Brasília, 2010.

Sofri muito com o fim da nossa relação, mesmo sabendo que era a melhor coisa a fazer, diante de tudo que tinha acontecido.

Lembranças vinham na minha cabeça o tempo inteiro, como uma em que, em um dos nossos “mêsversários”, eu tinha ido a um casamento e na saída recolhi o máximo de flores e rosas possíveis, para no dia seguinte levar tudo para um hotel, ajeitar todo o quarto, muitas flores mesmo, muitas rosas, e o rosto da Clara de felicidade e de surpresa!

Os fins de tarde que passávamos olhando os pássaros cantando e voando para lá e para cá, as tantas idas ao parque da cidade, onde a gente sempre sentava numa canga aberta na grama e ficávamos lá olhando as pessoas passando e imaginado como seria nossa vida no futuro…

Os meses foram passando, as vezes eu encontrava as duas na rua, fingia que não via, mas via, e era doloroso. Foram longos anos, sofrendo, e lembrando da nossa vida, de trás para frente, em todos os ângulos. Passei muito tempo buscando uma resposta dentro de mim, mas nunca a encontrei. Depois de um tempo Clara sumiu e eu nunca mais ouvi falar dela.

Anos se passaram, até que um dia avistei Clara passando na rua, fiquei pasma, ela estava grávida. Soube que a relação dela com a Letícia havia sido muito conturbada, o irmão de Letícia era muito meu amigo e, as poucas vezes em que tocávamos no assunto, ele sempre reprovava a relação da irmã com a Clara. Ele me disse que durou pouco mais de 1 ano a relação delas.

Clara estava casada com um rapaz, grávida. Foi estranho vê-la daquele jeito, era como se, enfim, eu estivesse enterrando qualquer esperança de um dia a gente se reencontrar. A última vez que eu havia encontrado com ela, tinha sido em 2010, eu acabara de pegar um diploma de um curso muito importante que fiz e tinha ido ao shopping tomar um milkshake, quando dei de cara com ela. Clara já não era mais a menina Clara, estava com uma postura petulante, exibida, mostrou o celular, falou coisas da vida dela, sobre como estava bem financeiramente, e como era feliz sexualmente com o marido. Eu ouvi tudo que ela tinha para dizer, e no final do corredor, tinha uma loja de perfumes, ela entrou na loja e me chamou, pegou um perfume borrifou em minha mão e disse: “esse agora é o meu cheiro, espero que lembre dele”. Eu, sem entender o que ela queria com aquelas informações tão desnecessárias, me despedi e nunca mais nos vimos, até que em 2015, Clara me encontrou nas redes sociais.

Eu mudei muito fisicamente desde 2002, o ano em que nós namoramos. Clara ficou boquiaberta com o que via sobre mim e fez inúmeras declarações, conversou como se ainda estivéssemos em 2002. Disse que eu fui o grande amor de sua vida e que não conseguiu amar o pai de seus filhos, que não havia amado Letícia, e que nunca foi feliz como foi comigo. Eu li tudo, agradeci os elogios e me despedi.

Clara foi um grande amor, foi o meu primeiro sentimento, minha primeira paixão. Eu a amei por longos 5 anos após nosso término. Tudo me lembrava ela, mas ler essas declarações, tanto tempo depois, já não fazia sentido.

Em 2020 nós nos falamos novamente pelas redes sociais. Hoje ela mora longe dos filhos, teve mais um filho, e ainda sustenta um ar de soberba. Ela fala sempre com muita exibição, quando o assunto é riqueza material, na verdade, ela sempre busca uma forma de entrar no assunto, para se vangloriar das conquistas, mas vejo que ela não é feliz, não é realizada, não é o que tenta passar. Na última conversa que tivemos, clara me culpou por tudo, disse que a culpa dela ter ficado com a Letícia havia sido minha, e, mais uma vez, declarou seu amor por mim, dizendo que fui o único e verdadeiro amor de sua vida.

Eu não saberia explicar o furacão que foi a saída da Clara da minha vida, mas quando tudo se organizou dentro de mim, eu olhava para nossa história como um bom livro, que a gente lê com muito carinho cada página, finaliza e guarda numa prateleira, só para saber que ele existe, mas que eu não leria novamente. Depois de muitos anos pude, enfim, entender aquele bilhete que dizia: “é incrível a força que as coisas parecem ter, quando elas precisam acontecer”.

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é detalhelivro.jpg
Receba dicas e novidades

0 Comentários

Deixe o seu comentário!